Prevista nas Orientações Curriculares da Educação
Pré-Escolar, a abordagem à matemática, deve ser um campo de interesses da
criança e do grupo; uma constante diária nas práticas educativas de cada um de
nós, trabalhada de forma lúdica, globalizada e referenciada. Não deve,
portanto, ser apresentada como um conjunto de conhecimentos que têm de ser
aprendidos, mas como um instrumento de trabalho que pode e deve ser utilizado
simultaneamente com outras áreas para a resolução dos problemas das crianças,
sentida e encarada por estas como mais uma forma de linguagem a ser aproveitada
para a descoberta de novos conhecimentos e conceitos.
De acordo com Piaget, a Matemática – inserida na fase das
experiências com os objectos, nomeadamente na natureza física e
lógico-matemática – faz parte da aquisição e construção do conhecimento, na
medida em que a criança, desde cedo, cria e introduz relações entre os
objectos, cria relações coordenadas, estrutura as classes e as relações
qualitativas. Segundo o mesmo autor, a fonte de conhecimento reside na
interacção entre o sujeito e o objecto, tendo o primeiro um papel ativo nessa
mesma interacção uma vez que nasce com um conjunto de competências que lhe
permite interagir e dar significado ao meio. É pois importante que, mais do que
identificar as propriedades de um objecto, a criança seja incentivada a estabelecer
relações entre eles – através da sua manipulação frequente e diversificada – de
forma a permitir um melhor entendimento de conceitos e relações entre estes.
Na educação pré-escolar, a abordagem dos conceitos
matemáticos ancora na necessidade de proporcionar às crianças oportunidades
para atribuir ordem e significado a situações quotidianas, estabelecendo
relações entre os acontecimentos diários e as suas representações matemáticas.
O Jardim-de-infância tem o papel fundamental de ajudar a criança a sistematizar
e consolidar esses conhecimentos e capacidades, espontaneamente desenvolvidas
partindo dos seus conhecimentos informais. Nós educadores, devemos propor
situações problemáticas permitindo que a criança descubra as suas próprias
soluções, debatendo-as individualmente ou em grupo. A criança constrói
conceitos matemáticos a partir das suas vivências, na medida em que manipula,
atua mentalmente sobre algo e relaciona objetos.




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